Maria (mãe de Jesus)

Maria (mãe de Jesus)
Por Dilva Frazão
Biblioteconomista e professora

Biografia de Maria (mãe de Jesus)

Maria (mãe de Jesus), também conhecida por Nossa Senhora, Maria Santíssima e Virgem Maria, foi a mãe de Jesus Cristo – líder religioso e principal personagem do Cristianismo.

Venerada pelos católicos, ela é a figura central dos santuários construídos em sua homenagem, entre eles: Nossa Senhora de Fátima (Portugal), Nossa Senhora de Lourdes (França), Nossa Senhora de Guadalupe (México) e Nossa Senhora Aparecida (Brasil).

Maria, "Marian em aramaico" - a língua materna dos judeus daquela época, nasceu em Nazaré, ao norte da região da Galileia, por volta do ano 20 a.C. Era filha dos colonos Joaquim e Ana, posteriormente Santa Ana,membros da classe média.

A Galileia e os judeus

A região da Galileia daquele tempo, do ponto de vista dos judeus, era uma terra de imigrantes, que tinha feito parte do velho Reino de Israel, que vivera seu auge praticamente mil anos antes de Jesus nascer, sob o domínio dos reis Davi e Salomão

Depois dessa fase gloriosa, uma guerra civil, no século VIII a.C., fez surgir uma série de impérios. O resultado é que a Galileia acabou ocupada por grupos pagãos até o final do século II a.C., quando os judeus recuperaram sua independência política graças aos reis sacerdotes da família dos Hasmoneus.

Alguns pagãos da região foram convertidos à força ao judaísmo, enquanto novos assentamentos, então ocupados por famílias vindas dos arredores de Jerusalém, surgiram na zona rural da Galileia. Os ancestrais de Maria provavelmente estavam entre esses colonos.

Maria, José e Jesus

As fontes sobre a história de Maria são bem escassas, além dos Evangelhos, dos Atos dos Apóstolos e da literatura apócrifa como o Prontoevangelho de Tiago e o Pronntoevangelho de Bartolomeu, não há nenhuma outra fonte que descreva sua trajetória.

Maria era uma camponesa e quando jovem vivia longe do centro religiosos de Jerusalém, com seu templo, sua aristocracia sacerdotal e riqueza. Segundo os historiadores, Maria não deve ter recebido nenhuma instrução formal. A educação judaica, centrada no estudo das Escrituras, era só para os meninos.

Segundo os textos apócrifos, Maria teria sido prometida a "José" (da casa de Davi), ainda na adolescência, por volta dos 12 anos de idade, como era costume entre as famílias judaicas daquela época. Teria se casado com 14 ou 15 anos.

Nos Evangelhos, a profissão de José é citada como "carpinteiro", mas o termo grego que designa a profissão está mais próximo de "construtor", aquele que trabalhava com madeira, pedra ou ferro. Alguns antigos relatos cristãos dizem que a oficina de José tinha se especializado fazendo peças para carroças e arados.

A arte religiosa costuma retratar José como um senhor já grisalho quando do nascimento de Jesus. Na época, era comum que homens mais velhos se casassem com adolescentes.

Segundo a tradição Cristã, Maria, ainda prometida a José, teria engravidado pela ação do "Espírito Santo". “Yeshua” (Jesus, nas línguas contemporâneas) teria nascido em Belém, cidade da Judeia, provavelmente no ano 6 a.C. A diferença entre o nascimento "real" de Jesus e o “ano zero” do calendário cristão se deve a um “erro de datação”, quando a Igreja através do monge Dionísio Exíguo, encarregado pelo papa, resolveu reformular o calendário, no século VI.

É possível que Jesus tenha trabalhado em Séforis, cidade próxima a Nazaré, ao lado do pai e dos irmãos, e que passou a peregrinar pelas estradas da Galileia só quando tinha mais ou menos 30 anos, como os textos sagrados indicam.

Acredita-se que José tenha morrido antes de Jesus iniciar as peregrinações, porque ele não aparece nas narrativas sobre o Cristo adulto. Maria seria parente de Isabel, a mãe de João, aquele que nos evangelhos, batizou Jesus.

A tradição sustenta que embora tivesse vivido em Éfeso (atual Turquia), Maria teria voltado para Jerusalém, onde morreu com cerca de 50 anos de idade. Os arqueólogos encontraram algumas epígrafes de peregrino que passavam pelo local para venerar um túmulo datado do século I, que foi atribuído a Maria e sobre o qual foi construída uma basílica a ela dedicada.

É possível que Maria tenha passado sua velhice ao lado do filho Tiago em Jerusalém. Não há relatos sobre o fim da vida de Maria, embora a tradição cristã, do século IV em diante, tenha afirmado que ela foi levada de corpo e alma para o Paraíso, na chamada “Assunção”.

Diversos pintores retrataram Maria em sua telas, entre ele, Jan Van Eyck (Nossa Senhora com o Menino, 1435) e Botticelli (Vírgem com o Menino e Anjos, 1470).

Botticelli
Virgem com o Menino e Anjos
jan van eyck
Nossa Senhora com o Menino

Personagem bíblica

Maria tem seu nome mencionado 19 vezes no Novo Testamento. O Evangelho de Lucas afirma que Maria vivia em Nazaré e que estava prometida a José. É o único que fala do anjo Gabriel que foi enviado por Deus à casa de Maria para anunciar que o Espírito Santo viria sobre ela e que ficaria gravida de Jesus.

Lucas relata a viagem de Maria e José, da Galileia para Belém, pátria de José, para se registrar em um recenseamento romano ordenado pelo rei Herodes. Cita que em Belém, Jesus nasceu e que foi colocado em uma manjedoura e os pastores chegaram para adorá-lo.

Mateus cita que Maria estava prometida a José e antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo e que terá um filho que se chamará Jesus.

Mateus é o único evangelista que menciona os Magos (não Reis Magos), que vindos do Oriente seguindo a estrela de Belém visitam Jesus na manjedoura. Foi apenas no século 3 que eles receberam o título de reis – provavelmente para confirmar a profecia contida o salmo 72: “Todos os reis cairão diante dele”.

Cerca de 800 anos depois do nascimento de Jesus, eles ganharam nomes e locais de origem: Melchior, rei da Pérsia, Gaspar, rei da Índia e Baltazar, rei da Arábia. (Deve-se aos Reis Magos a tradição de se presentear no Natal).

O Evangelho de Mateus relata a fuga da família para o Egito, depois que José sonhou que Herodes iria procurar o menino para matá-lo, por saber que ele seria o novo Moisés. A família ficou no exílio até a morte de Herodes no ano 4 a.C.

Só os textos de Lucas e Mateus narram a concepção e a infância de Jesus (os outros dois evangelistas, Marcos, o mais antigo, e João, o último a escrever não tocam no assunto).

A data do nascimento de Jesus é uma incógnita, ele não é citado na Bíblia, foi uma escolha da Igreja, VI séculos depois. O dia 25 de dezembro era a data em que os romanos celebravam a festa de solstício de inverno – a noite mais longa do ano.

Após o exílio, a família voltou para Nazaré. O Evangelho de Lucas relata que todos os anos eles visitavam Jerusalém para celebrar a o Pessach – a Páscoa Judaica. Quando Jesus estava com 12 anos, durante a visita, ele separou-se dos pais que o acharam no templo discutindo questões teológicas e filosóficas com os sacerdotes.

Maria surge na vida pública de Jesus quando este faz seu primeiro milagre em uma festa de casamento em Caná da Galileia. Segundo o Evangelho de João, Maria pede a Jesus que faça o milagre de transformar água em vinho e este a atende. Depois desse feito, Maria acompanha o filho até que ele se estabelece em Cafarnaum, com seus irmãos e seus discípulos.

O Evangelho de Marcos, diz que Jesus teve quatro irmãos, Tiago, José, Simão e Judas, além de duas irmãs, porém, o dogma católico reza que Maria permaneceu casta por toda a vida.

Mais tarde, Maria é citada junto ao filho, ao pé da cruz, junto com o apóstolo João, no momento de sua paixão e morte. Finalmente, Maria aparece pela última vez reunida com os discípulos no cenáculo de Jerusalém, após a ascensão de Jesus.

Culto a Maria

Nenhum documento comprova que Maria tenha sido objeto de culto na igreja primitiva, mas sua presença na fé dos primeiros cristãos é atestada pelos documentos mais antigos, como os testemunhos de Santo Inácio de Antioquia e São Irineu.

Maria era judia e frequentava a sinagoga. A concepção de Maria cristã é uma construção eclesiástica, feita por padres, monges e teólogos. A ideia de uma cristandade em torno de Maria é um produto da Idade Média.

A tradição eclesiástica foi se firmando com o passar do tempo. Alguns dogmas foram sendo construídas pela própria Igreja, por decretos papais, por encíclicas: são eles: a maternidade divina, a perpétua virgindade, antes, durante e depois do parto, a absoluta santidade, a imaculada conceição (sem pecado original) e a assunção ao céu em corpo e alma.

As discussões sobre a maternidade de Maria se acirraram ao longo dos séculos III e IV, passaram pelo Concílio de Niceia (em 325) e culminaram no Concílio de Éfeso que consagrou a expressão “Mãe de Deus”.

A assunção de Maria, ainda que reconhecida, só foi proclamada como dogma em 1950 pelo Papa Pio XII. As igrejas ortodoxas aceitaram os mesmos dogmas. As igrejas protestantes mostram maior resistência em relação a estes temas. A Igreja Católica comemora o dia da Assunção de Nossa Senhora, no dia 15 de agosto.

Dilva Frazão
É bacharel em Biblioteconomia pela UFPE e professora do ensino fundamental.
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